12 janeiro, 2011

uma de milhares

vejo milhares de raparigas apaixonadas, fazendo figuras tristes apenas para chamar atenção dos seus príncipes encantados, pensando ainda viver em mundos de princesas e heróis, onde o primeiro amor é logo verdadeiro, passando por tudo e acabando por vencer tudo. elas conseguem sair da escola e desviar caminho, para o ver mais um minuto antes de ir para casa; inventarem desculpas à mãe de que estão a estudar só para terem alguns minutos para lhe telefonar, ouvem o telefone chamar, sentindo o ar a começar apertar e as borboletas agitadas voando de norte para sul; de oeste para este; percorrendo todos os caminhos que encontram até que ele atende .. ouvem a sua voz, não tendo coragem para falar, desligam mas mesmo assim toca-lhes profundamente no coração; passam por ele de propósito a rir bem alto, abanando o cabelo ao som do vento só para chamar atenção, ele olha e elas sem que ele perceba, páram, trocam algumas palavras com as amigas e olham discretamente. numa hora a seguir conseguem voltar a fazer o mesmo; dias após dias a fazer o mesmo e nunca se cansam. até que o rapaz as vê sempre e comenta com os amigos «que pitas sem vida!»; elas não se importam com nada, apenas sabem e dizem para elas «é pena que ele não saiba que é a nossa vida». porque somos sempre nós a passar por isto? porque nunca vejo os rapazes a fazerem isto?
quando se encontra o amor,  ele foge; ou deixa-se fugir por entre os dedos passado algum tempo. passamos por tanto para chegar a um ponto final que eu nao queria? afinal onde anda o meu mundo? errou-se no rapaz, mesmo assim, não valeu cada lágrima, cada saldo negativo. segue-se em frente. um novo amor, tapa sempre outro amor. pode-se sempre voltar a fazer tudo do ínicio. claudia agostinho ♥

1 comentário:

  1. Exacto. Pode sempre voltar a fazer-se tudo do inicio. "um novo amor tapa sempre outro amor" pode ser dificil, demorar tempo, e gastar-nos muita energia, mas é possivel, e aparece sempre, mais tarde ou mais cedo.

    E volta sempre a valer a pena. E nós vivemos intensamente cada segundo, cada minuto, cada sorriso, cada olhar, cada telefonema, cada palavra... E no fim acabamos sempre por cair, ficar na fossa. E levantamo-nos e começa de novo. Como um ciclo vicioso que nos faz crescer, amar, cuidar, perder e deixar escapar.

    E voltamos a ficar apenas nós. E nunca chegamos a saber se o ciclo vicioso que nos consome é igual neles.

    Se eles algum dia tiveram vontade de mudar este rumo. De serem eles a tomar inciativa, e se alguma vez sequer quiseram ser eles a segurarem-nos para não nos deixar escapar...

    Cláudia

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