27 março, 2011

segunda carta: chegou o dia, melhor

olá melhor amigo (beijinho*). estava a estudar ou melhor, a tentar estudar, tinha o computador à minha frente e estava ligado (sim, já sei o que estás a pensar: "assim é que se estuda, Daniela? que falta de concentração. desliga já." mas só estava ligado porque tinha preguiça de estudar sem ouvir um bocadinho de música) entretanto, o meu olhar ganhou uma direcção sem ser a dos livros e fixou-se no canto inferior direito do ecrã do computador. o que lá estava? a data: domingo, 27 de Março de 2011. lembrei-me logo de ti e do que passámos, do começo, das virgulas que a nossa amizade teve, das discussões, até das interrogações me relembrei. as saudades são tantas, melhor. mas não vou ficar presa ao passado, quiseste assim, eu aceito.
escrevo-te novamente para te contar como tenho andado. como deves calcular não ando bem, desde que me largaste a mão e quiseste que caminhasse sozinha. tenho notado que é um novo mundo, onde existe muita injustiça, muita mentira, muita crueldade e muito mais (..) antes não via o mundo assim, para mim era completamente diferente. talvez porque tinha uma barreira que tu criaste, onde ninguém se chegava perto com más intenções. esta barreira ninguém via, era totalmente invisivel aos olhos de qualquer pessoa, até aos meus e aos teus. bem, se antes me sentia demasiado protegida, agora sinto-me sozinha de mais. eu posso ter 213432 amigos no facebook, no email ter 3737 e os verdadeiros serem até 34, mas preciso mesmo de ti, falta-me a tua protecção, a tua amizade, a tua sinceridade e até mesmo a tua injustiça para comigo às vezes. isso tudo fazia-me feliz e eu nem reparava. agora quem é que me atura? ninguém. (e agora estás a pensar: "quiseste seguir os teus amigos, agora amanha-te!") fiz-me grande de mais, quis ser mulher depressa mas se calhar não estava preparada para tal, o momento não foi o correcto. antecipei coisas que não deviam de ter sido antecipadas. pela primeira vez, com muitos avisos teus pelo meio que nunca foram ouvidos, fizeste o que te pedi, mas secalhar também erraste, não devias ter deixado que eu tomasse uma decisão tão grande. já fiz tanta coisa desde que partiste, da mais parva à mais estúpida, nenhuma delas se calhar a correcta. mas um dia conto-te numa nova carta, hoje não quero porque é um dia feliz, que irá sempre ficar comigo. és a minha vida, completamente.
um dia voltarei a pedir-te que voltes a proteger-me, mas se calhar bem antes disso, vou abraçar-te na rua sem esperares tal coisa e nesse dia, quero que me abraçes também e me digas: "tive tantas saudades tuas, miuda!" e eu volte de novo a sentir-me uma menina e não uma mulher. até lá continuarei a escrever-te e a tentar ganhar parte da coragem que tu me deixaste para trás. amo-te com tudo, um abraço com muita saudade e muitas lágrimas.  da tua melhor amiga. Gonçalo Correia, melhor amigo desde 27 de Março de 2009.

(acredito que nenhuma destas cartas sejam escritas em vão. talvez um dia, não hoje, nem amanhã, um dia .. alguém te as mostre.)

1 comentário:

  1. Não hoje, não amanhã...
    Mas acredita que um dia ele lerá...

    E sim, eu acredito que é verdade.
    "Não hoje, não amanhã, mas um dia ele terá oportunidade de ler tudo aquilo que escreveste para ele." @

    E eu acredito que vai ser assim, e que ele vai ler cada palavra e interpretar cada frase com a quantidade certa de sentimento com que tu as escreveste...

    E nunca te esquecas...
    Não hoje, não amanhã... mas um dia. <3

    E deixa-te ser miuda, não vamos crescer depressa, nem apressar as coisas. Vamos simplesmente deixar as coisas acontecer, sofrer, cair, levantar, sorrir, e depois, um dia... crescer.

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